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“Felicidade Interna Bruta” (FIB)

September 6, 2018

Impelido por um forte instinto de sobrevivência e de curiosidade inata, o ser humano sempre procurou explorar o mundo e as suas circunstâncias, fazendo uso e aperfeiçoando as ferramentas de que dispunha, na tentativa de se compreender a si e ás suas circunstâncias.

 

Neste processo evolutivo, há um desses instrumentos que parece ter ganho uma hegemonia, sendo considerado amplamente como a característica distintiva do Homem em relação aos demais seres vivos: a mente racional.

 

O estabelecimento e o domínio da capacidade para pensar, comparar, medir, avaliar, planear, criar estratégias etc, criou as condições para o desenvolvimento progressivo de disciplinas que se foram especializando.

 

Não é menos verdade, porém, que este tipo de abordagem, sempre coexistiu com outros tipos de “pensamento/linguagem”, como, por exemplo, a linguagem mítico/simbólica, mais ligada à observação da natureza e de auto questionamento, dimensão que nas últimas décadas foi sendo negligenciada ou mesmo descartada face à hegemonia do paradigma científico.

 

Ao mesmo tempo que assistimos a um desenvolvimento inquestionável ao nível tecnológico-cientifico, assente no uso da mente racional, que se vira invariavelmente para fora, são evidentes os efeitos que esta visão redutora do homem acarreta, nomeadamente no que se refere à supressão do mundo interno composto pelas emoções, instintos e intuição.

 

 

 

Por exemplo, o ser humano saiu atravessou períodos de grande adversidade precisamente fazendo uso de todos os instrumentos de que dispunha, permitindo-lhe sair  das cavernas escolhendo instintivamente os alimentos e ambientes mais adequados para a sua condição. No entanto ,hoje em dia, verificamos casos extremos de doenças provocadas inquestionavelmente originados por estilos de vida sedentários e por alimentações completamente desadequadas à condição atual do ser humano.

 

Mesmo com tanta informação e tecnologia, as pessoas estão a perder cada vez mais a capacidade para se sentirem, escutarem e reequilibrarem naturalmente, colocando-se numa situação de dependência face às indústrias  farmacêuticas, médicas, alimentares etc. Este facto redunda e redundará, inelutavelmente, em desequilíbrios, com repercussões na compreensão do ser Humano sobre si mesmo e de todas as dimensões que o envolvem.


 

É um lugar-comum dizer-se que o ser humano está sempre à procura daquilo que lhe falta. Isto parece não só verificar-se num plano mais material, como também ao nível do conhecimento e da cultura. Um bom exemplo é a tendência atual para o Oriente se “Ocidentalizar” e para o Ocidente se “Orientalizar”.

 

Assistimos hoje a uma proliferação das disciplinas orientais no Ocidente, o que permite o acesso a conhecimentos incrivelmente profundos por parte de um numero cada vez maior de pessoas. No entanto verifica-se um risco enorme de se abordar estas disciplinas de forma superficial e fora do seu contexto, desvirtuando a sua essência, passando apenas a ser um moda que, por definição, passará mais cedo ou mais tarde.

 

Nas viagens que fiz ao Oriente foi possível verificar que uma parte significativa da população, principalmente a nova geração, está muito mais interessada em ganhar dinheiro e em ter o telefone da última geração, do que propriamente em manter vivas as tradições espirituais milenares.

 

Uma vez, dei por mim a dar conselhos sobre dores nas costas e stress em pleno aeroporto de Deli a dois rapazes Indianos de cerca de 20 anos, que me abordaram após me verem a fazer alguns alongamentos. Acabei por lhes recomendar que começassem a praticar Yoga ☺

 

Independentemente de vivermos num mundo cada vez mais global, que tende a atenuar estas diferenças, podemos ainda assim identificar a existência de um tipo mental mais ocidental e de um outro mais oriental, considerando a forma como estas culturas se foram desenvolvendo e na maneira destes povos encararem a vida e suas circunstâncias.

 

Nesta perspetiva, o que a meu ver caracteriza uma mente mais ocidental, fundamentalmente marcada pelas influências positivistas, técnico científicas, e pelo pensamento Aristotélico, é a necessidade de provar e “reprovar”, de argumentar e refutar, de rejeitar antes de aceitar, e de medir e partir para pesar.

 

Inversamente, a abordagem filosófica oriental reconheceu a importância de não se limitar ou, em alguns casos, mesmo de se abandonar a percepção sensorial e racional, abrindo portas a uma visão mais real, marcada pela potencialidade para a compreensão paradoxal da vida. È esta capacidade para olhar para a vida como um Todo, suas circunstâncias e manifestações que se denomina de visão Holística e que se encontra plasmada há milhares de anos em tratados clássicos de filosofia, medicina e espiritualidade que podem ser encontrados desde Índia, passando pela China, Tibete, Japão etc.

 

“ Quando os cinco sentidos e a mente estão parados, e a própria razão descansa em silêncio, então começa o caminho supremo. Esta firmeza calma dos sentidos chama-se Yoga. Mas deve estar-se atento, pois o Yoga vem e vai.”

Katha Upanishad

 

Sendo certo que muitos já sentiram que dos ventos do Oriente surge um aroma exótico que pode ser visto nas cores, nas roupas, nos hábitos e nos sabores, menos serão os que sentiram o intenso transbordar de uma autenticidade e profundidade para além das dos adjetivos.

 

 

O que essencialmente separa estas abordagem é o ponto de vista. A mente científica parte do observador, mas dirige o seu foco para observação exterior, usando como filtros os órgãos dos sentidos e a mente, que separam os opostos, enquanto a perspetiva da tradição oriental dirige toda a sua atenção para a interioridade, para o centro, para a compreensão da origem, inclusive do próprio observador, onde a separação dá lugar à complementaridade dinâmica dos opostos.


 

Enquanto a mente positivista ocidental se foi debruçando na técnica e no detalhe do microcosmos com o intuito de provar como as coisas funcionam, a mente Oriental simplesmente levantou a cabeça percebendo que, antes de qualquer validação, medição ou prova, a vida já existia e fluía, abrindo por isso as portas a uma maior contemplação. Daí que esta cultura tenha produzido disciplinas como o Yoga, a Meditação o Tai Chi, Chi Kung, as Artes Marciais, etc.

 

É neste contexto que podemos “encaixar” o Yoga e as demais práticas que consideramos tão antigas como a própria vida, não em termos da sua codificação ou transmissão de um conhecimento, mas no sentido de uma tomada de consciência da natureza profunda dessa Força que flui dentro de nós e que constitui a dimensão espiritual.

 

Por isso, estamos de acordo com a visão do Rei do  Butão Jigme Singye Wangchuck, em 1972, ao defender que a  indexação ao PIB (Produto Interno Bruto), deveria ser substituída pelo índice FIB, medidor da Felicidade Interna Bruta, dirigindo

os indivíduos e a sociedade antes de tudo mais a perscrutarem o que lhes vai na alma, cultivando valores espirituais, abrindo dessa forma as portas para o desenvolvimento consciente e sustentável nos domínios social, económico, ecológico, psicológico e cultural.

 

A sensação que se fica quando mergulhamos na filosofia do extremo oriente é de uma estranha certeza de reconhecimento de algo que sempre foi é e será, mas que paradoxalmente tem a beleza, a frescura e a pureza de algo completamente novo, acabado de nascer.

 

Hari Om Tat Sat

 

Jorge

 

 

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