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O Yoga é uma terapia?

June 5, 2018

 

Este artigo tem como objetivo convidar à reflexão, ao aprofundamento e compreensão do Yoga na sua vertente terapêutica.

 

É curioso verificar que, nos dias de hoje, uma parte significativa de pessoas chegam até ao Yoga na tentativa de corrigir problemas posturais ou dores recorrentes, bem como acalmar e aquietar um pouco o ritmo em que vivem, e, muitas vezes, surgem recomendadas por médicos e outros profissionais da área da saúde.

 

O foco deste artigo está no papel da coluna vertebral, uma vez que, na minha experiência enquanto terapeuta, praticante e professor de Yoga, esta é a parte do corpo que mais vezes é acusada de limitar a vida quotidiana e a prática regular de Asanas. A ideia não é dividir ou partir o Yoga, mas sim começar do seu aspeto mais denso, do eixo central, permitindo a partir daí criar as bases para que se possamos desenvolver e compreender melhor os aspetos mais subtis da prática.


Nos últimos anos, temos assistido a uma aparente divisão do Yoga enquanto disciplina em inúmeros estilos, nomes patentes, etc. Na verdade, esta subdivisão deve ser apenas encarada como os ramos de uma grande árvore que, por mais que cresçam, jamais perdem a sua ligação ao tronco, enquanto estiverem vivos.Um exemplo de um destes ramos é precisamente o Yoga “terapêutico” que, em bom rigor, é tão antigo como o Yoga, simplesmente  não havia uma nomenclatura diferente para cada ramo. Esta tendência para a individualização não pode ser dissociada da importação das filosofias e técnicas terapêuticas por parte do Ocidente, que, na sua tentativa de compreensão da totalidade, opta por dividir e autonomizar. No entanto, neste percurso, é fundamental relembrar constantemente que os ramos pertencem ao tronco, que assenta nas suas raízes e que estas se alimentam da água e da terra em que se fundem.

 

Em termos fisicos, a característica mais distintiva do Homem relativamente aos outros animais é a sua postura ereta, facto que faz com que a coluna vertebral assuma um papel chave nesta abordagem. Assim sendo, este eixo, composto pelo canal vertebral surge precisamente no centro da acção de 2 forças contrárias e complementares: uma força centrípeta, que confere o enraizamento e a estabilidade em direção à terra (força da gravidade) e outra força centrífuga, caracterizada pela expansão e responsável pela verticalidade.
Do ponto de vista da medicina oriental, o ponto de encontro entre estas forças na estrutura humana (denominadas de Yin e Yang, força centrífuga e centrípeta respectivamente), ocorre precisamente na base da coluna vertebral, ou seja, na região lombar e do sacro, daí a importância da prevenção e recuperação desta região enquanto pilar deste eixo.

 

Vejamos o exemplo dos animais de companhia como cães e gatos que mesmo não tendo uma estrutura vertical, logo menos sujeita a pressões gravitacionais, não deixam de efetuar várias vezes por dia uma série de alongamentos, simples e naturalmente, em harmonia com o seu instinto intimamente ligado com a natureza.
Por outro lado, esta ligação intuitiva e instintiva, parece desvanecer-se cada vez mais no ser humano, cujas causas podem ser encontradas na criação de um estilo de vida mais sedentário, mecânico e até mentalmente frenético, que acarreta por sua vez a perda de ligação à sua essência.
As dores de costas afectam, num momento ou noutro, quase todas as pessoas, em grande parte devido às posturas incorrectas e ao estilo de vida sedentário adoptado pela maioria das pessoas. O estado das costas de uma pessoa é influenciado, nomeadamente, pela genética, stress, pela profissão exercida, pelo peso, estilo de vida, bem como pela forma como a pessoa lida como as suas emoções. Na realidade, todas as experiências emocionais acabam por ter uma tradução corporal. A coluna vertebral e todo o espaço corporal ao seu redor, enquanto eixo central, é um centro privilegiado de emissão da informação sensorial e nervosa para todo o corpo, mas é, simultaneamente, de um certo ponto de vista, o local onde conflui o resultado da forma como as experiências são vivenciadas e traduzidas pelo todo que é o corpo, onde se armazenam as mensagens, emoções e conflitos de toda a nossa vida.

 

A coluna vertebral, também chamada de espinha dorsal, estende-se do crânio até à pélvis. Ela é responsável por dois quintos do peso corporal total e é composta por tecido conjuntivo e por uma série de ossos, chamados vértebras, as quais estão sobrepostas em forma de uma coluna, daí o termo coluna vertebral. 


Tem duas curvaturas: a primária e a secundária. A primária compreende a curva torácica e sacral cifótica e a secundária, as curvas lordóticas presentes na região lombar e cervical. Apenas aos 10 anos de idade a curvatura lombar adquire a sua forma adulta.


Fundamental será dizer que a coluna vertebral é uma estrutura de auto sustentação, que combina forças de compressão e tensão, que estão constantemente sujeitas à força da gravidade e à necessidade de locomoção.

 

Estas são as patologias e lesões recorrentes da coluna vertebral:
Curvaturas Patológicas
- Hiperlordose e hipolordose
- Hipercifose
- Escoliose

Outras Patologias da Coluna
- Compressão Inter-vertebral

 

 

 

 

 

 

 

Yoga - A tomada de consciência, Ásana, Pránáyáma e Bandhas

 

 

Partindo do Corpo:

Todos os factores que seguem influenciam o estado das nossas costas e são determinantes para a saúde da coluna vertebral e dos músculos que a suportam, logo, a prática de Yoga com foco terapêutico deve partir da observação dos seguintes pontos: 
- O alinhamento dos pés, dos joelhos e das pernas
- O tónus muscular das pernas, dos glúteos, das próprias costas e da parede abdominal.
- A mobilidade das ancas, a posição da pélvis, a flexibilidade da zona lombar, a flexibilidade da zona torácica, a flexibilidade dos músculos posteriores e anteriores das coxas, os braços e as articulações dos ombros, a curvatura cervical
- A posição da cabeça relativamente aos ombros.

 

 

A mente e as emoções:

A tensão muscular existente no nosso corpo está directamente relacionada com os estados mentais e emocionais. Se observarmos o que acontece numa situação de stress ao músculo do coração, por exemplo, verificamos que este músculo reage à situação potencialmente ameaçadora (ou pelo menos interpretada como tal) contraindo-se com maior intensidade e velocidade. Tal como este músculo, existem também outros que têm um comportamento de grande reactividade emocional, como o psoas, o diafragma respiratório e os intercostais (as pessoas que sofrem de um stress constante perdem muita da sua mobilidade muscular torácica) entre outros. Assim as situações de stress e tensão, através da sua acção sobre estes músculos, acabam por afectar não só o processo respiratório, mas também a postura corporal, podendo agravar fragilidades já existentes. Por este motivo, simples respirações diafragmáticas que ajudam a relaxar, têm-se mostrado muito úteis no alívio de dores de costas, quando estas estão relacionadas com estados de tensão e stress. 

 

No contexto do Yoga com foco terapêutico devemos procurar, inicialmente, identificar a causa ou a principal origem da dor, para que se possa construir uma prática adequada para a situação em concreto. É importante também compreender que uma hora de prática por semana, pode não ser suficiente para eliminar um problema de costas existente, já que este depende de tantos e diferentes factores. Transformamo-nos naquilo que fazemos com regularidade.


O objetivo principal e final desta prática, não se poderá cingir de forma alguma ao alívio sintomático da dor.

Em suma, a via do Yoga centra-se na tomada de consciência de qualquer situação que surja, concretizando-se numa aprendizagem da forma como a respiração, os músculos, as articulações e nossos estados mentais funcionam, se interligam e se manifestam. Este caminho é denominado de Yoga Terapêutico, que proporciona de uma forma única a junção de todas estas camadas do nosso Ser.

 

Por isso, podemos começar pela promoção da saúde, da vitalidade e da cura, criando as condições para que o equilíbrio natural da estrutura do corpo se possa manifestar na sua sabedoria intemporal enquanto manifestação da Consciência.

Não devemos ambicionar a menos do que a plenitude que é a nossa verdadeira natureza!

 

Om Namah Shivaya!
Jorge Saraiva

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